O Pulo do Gato na rede:

Nossa origem

Tecendo a história: um fio de muitas meadas

A produção do kit O Pulo do Gato – Jogos para alfabetizar

é fruto de engajamento social permeado por ricas e deliciosas experiências compartilhadas entre professores ao longo de mais de 20 anos que, em um primeiro momento encontrou-se no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

Em um primeiro momento, a experiência na Escola Classe 3 do Paranoá e os altos índices de repetência e evasão ali presentes e visíveis em todo o Distrito Federal mobilizou um grupo de professoras a buscarem referencial teórico que pudesse dar contar da aprendizagem dos alunos, a despeito de todas as adversidades presentes e recorrentemente utilizadas como responsáveis pelo insucesso escolar.

O governo que assumia a gestão do Distrito Federal, à época, preocupado também em enfrentar o “fracasso escolar”, compreendendo-o como fenômeno mais complexo, investiu na formação de professores com o objetivo de subsidiar a prática pedagógica, de modo a promover a aprendizagem na sala de aula.

Em 1995 surgiu, então, o Projeto Vira Brasília a Educação, coordenado pela Deputada Federal Esther Pillar Grossi que já desenvolvia pesquisa na área de alfabetização à frente do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação – GEEMPA.

Em vista do trabalho realizado na Escola Classe 3 do Paranoá, um grupo de professoras foi convidado para coordenar o Projeto Vira Brasília a Educação, o que favoreceu a convergência e o engajamento de quase 3 mil profissionais da Educação (alfabetizadores, professores das primeiros iniciais do Ensino Fundamental, orientadores educacionais, coordenadores pedagógicos, gestores de escola etc) em um processo de mudança da prática pedagógica que teve rebatimento direto na aprendizagem dos quase 23 mil alunos das classes de alfabetização no DF.

A tônica da formação versou sobre os processos de aprendizagem, principalmente as contribuições de Emília Ferreiro e Ana Teberosky sobre a Psicogênese da Língua Escrita, inaugurando no DF essa discussão.

Durante esse período, iniciou-se a construção de muitos materiais didáticos, principalmente jogos, que consideravam os processos de aprendizagem dos alunos. Essa compreensão favoreceu a construção de uma prática docente ancorada em intervenções pedagógicas mais assertivas.

A construção do Pulo do Gato, jogos para alfabetizar constitui-se uma tentativa de organização, sistematização e aprimoramento de materiais pedagógicos que se desenvolveram a partir das experiências de um grupo de professoras que continuaram desenvolvendo trabalho pedagógico nessa direção obtendo resultados muito positivos na aprendizagem dos seus alunos. Nesse sentido, o Pulo do Gato propõe o compartilhamento de materiais que podem interferir significativamente na prática pedagógica de sala de aula, como também é um convite para educadores que acreditam que toda escola pode aprender e, portanto, ensinar.

Durante nossa trajetória tivemos o prazer de encontrar grandes educadoras que contribuíram significativamente para a construção desse material. Agradecemos a todos os que participaram do Projeto Vira Brasília a Educação, em especial a Esther Pillar Grossi e toda equipe do GEEMPA, Isaura Belloni, Zezé Rocha, Maria Duarte, Cília Cardoso, Sueli Brito de Freitas, Nina Mello, Nair Tuboiti, Rogério Póvoa,  Elenice Viana, que possibilitaram a consolidação de ideias que mudaram o fazer pedagógico de tantas professoras no DF.

Enfatizamos nossa passagem em espaços importantes que também colaboraram para essa construção, como a Escola Classe 312 Norte/SEEDF (1998 a 2000), Ministério da Educação (Programa Escola Aberta/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD – 2006 a 2009) e a participação no IBRAPPEducação, onde consolidamos esta Proposta com a colaboração especial de: Adalgisa Maia, Andréa Cavalcante, Andréa Fleury, Ana Luiza Barbosa, Cláudia Marins, Fabian Domingues, João Barbosa, Letícia Rodrigues, Lia Gouveia, Lia Scholze, Luizmar Cavalcante e Sandra Calheiros.

Algumas experiências ainda merecem destaque:

  • A docência no INDI Bibia nos anos de 1987, 1992 e 1993.
  • A participação na equipe da Oficina Pedagógica do Núcleo Bandeirante/ SEEDF em 1995 e 1996;
  • Participação na gestão e docência da Escola Classe 312 Norte, nos anos de 1997 a 2000;
  • Formação de mil mulheres em Porto Alegre, no Projeto do GEEMPA, MEC e THEMIS em 1998;
  • Participação no VIBRE, em 1998;
  • Formação de educadores populares, desde 1999;
  • Programa “Volta aos Estudos” (GEEMPA), na Câmara dos Deputados com funcionários terceirizados, 2000;
  • Participação nos grupos de formação psicopedagógica com a Alícia Fernandez, desde o ano de 2000;
  • Docência no ensino superior atuando com futuros professores, desde 2002;
  • A docência no Colégio Arvense, pelo lindo trabalho realizado a partir do Projeto Mala de leitura;
  • Participação na construção e fundação do Colégio Ícone, nos anos de 2000 a 2004;
  • Formação de professoras, no período de 2001 a 2003, na EC 08 do Cruzeiro da SEEDF;
  • A participação no projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos da UDF, entre 2003 e 2008;
  • Docência em turmas de Educação de Jovens e Adultos, numa perspectiva de Educação Popular, em 2005;
  • A formação de professores da SEEDF, Santa Rita de Cássia-BA, Luziânia-GO, Campos-RJ – 2008

 

Esperamos contribuir com o trabalho pedagógico dos professores apoiando-os em sua ação docente de modo que possam enxergar cada vez mais a beleza do espaço da sala de aula quando se reconhece “diamantes onde antes parecia haver pedregulhos”.

 

Natália Duarte, Martha Scárdua, Relcy Caribé, Lia Scholze e Andréa Fleury